O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana surgiu em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana. Na ocasião, criou-se a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-Caribenhas e estabeleceu-se o 25 de julho como Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha.

Em 2014, a Lei nº 12.987/2014 também tornou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela foi uma líder quilombola no século 18, do Vale do Guaporé, em Mato Grosso. Com a morte de seu companheiro, ela assumiu a luta da comunidade negra e indígena contra os opressores portugueses até a destruição do quilombo. Há controvérsias se Tereza morreu na guerra ou se terminou prisioneira, mas seu exemplo de resistência permanece no presente.

Este dia é sinônimo de luta, de resistência, dia de reforçar e encontrar meios para acabar com a opressão histórica. É dia de romper o silêncio e refletir sobre a desigualdade que as mulheres negras sofrem.

No Brasil, elas são 55,6 milhões, chefiam 41,1% das famílias negras e recebem, em média, 58,2% da renda das mulheres brancas. Os dados foram extraídos do Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, de 2015, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Cabe observar que ao falar de mulheres negras, estão as mulheres pretas, pardas (de diversas miscigenações).

De acordo com Lucia Garcia, economista do Dieese e especialista em mercado de trabalho, em 2017, quando ultrapassávamos o período em que a crise brasileira e latina se tornou crônica, se observa que as mulheres negras voltam a enfrentar taxas de desemprego (21,1% da Força de Trabalho negra feminina) muito mais altas que as mulheres não negras (11,1%) e do que os homens não-negros (9,4%), tornando-se assim o grupo mais vulnerável ao desemprego.

Feminismo Negro

A das feministas negras é diferente das feministas brancas. A realidade da mulher negra é uma reconfiguração da pós escravidão, que envolve hipersexualização, anulação, mortes, violências, opressão e miséria. 

Antes da mulher negra lutar pelo seu corpo e suas regras, ela deve lutar pelo direito de viver. Os índices de violência, encarceramento, mortalidade materna e baixa escolaridade, são presentes na vida destas mulheres.

A mulher branca também foi oprimida, explorada e viveu na miséria, mas superou grande parte disto no começo do século passado. Infelizmente, as mulheres negras não.

Fontes: Brasil de Fato/ Casa do Saber / Palmares